Future

Você alguma vez já se sentiu vazio? Como se algo tivesse sido bruscamente arrancado de sua vida? Pois era assim que me sentia. Só que o tempo todo… desde que ele partira.

Um dia ele estava lá mostrando aquele riso que parecia tirar graça de tudo; no outro, simplesmente não havia mais ninguém. Ninguém mais importava. Ninguém era Frankie.

Oh, o quão sarcástico e irônico ele era. Sempre discutindo, gostava de argumentar com todos apenas por diversão. E fazia isso muito bem, na verdade. Poderia dizer que esse era seu maior hobby. Em todas suas conversas fazia um comentário polêmico para atiçar uma discussão, mesmo que ele concordasse com a opinião da outra pessoa, ele simplesmente gostava de contrariar e colocar outros pontos de vista a fim de deixar seus adversários desorientados.

E ele tinha certas opiniões fora do convencional, devo acrescentar. Afirmava que não queria ter filhos, achava que já havia pessoas demais para mundo para colocar mais uma e que com tantas crianças sem pais… Bem, ele simplesmente não podia deixá-las. Falava isso com um certo brilho nos olhos; como se alguém tivesse lhe designado essa função e fosse seu dever cumpri-la. E, apesar do sorriso que sempre carregava quando começava todas suas discussões, você sabia que ele realmente queria dizer isso. Ele era uma pessoa gentil, altruísta até certo ponto, e completamente apaixonado.

Frank tinha um amor por suas convicções, algo que nunca havia visto antes. E por mais que não concordasse com um terço delas, eu o respeitava por isso. Eu o amava por isso, também.

Suas ambições o levaram para longe de mim. Aproximadamente 3.425 quilômetros de distância. Um dia e 22 horas sem paradas. O que significa que se eu parar uma hora para cada refeição e oito para dormir por dia, chego no mínimo em  dois dias e 21 horas… Sim, fiz todas as contas. Apenas para perceber que não poderia fazer esse trajeto facilmente. Para perceber o quão seria difícil tê-lo por perto de novo.

Por que tinha que ter escolhido uma universidade tão, tão longe daqui? Com ele tudo era sempre tão difícil, não era? Das milhares de instituições culinárias do Estado de Nova York, nenhuma era boa o suficiente para ele.

Mas é assim como acaba: eu jogado no sofá, imaginando se meus pulsos ficariam bonitos mesmo rasgados e sujos com o líquido da vida. Apenas imaginando se algum dia iríamos nos encontrar de novo.

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