Capítulo 1: Quinta-Feira

Capítulo Um: Quinta-Feira

– Adivinha quem vai a um show no sábado? – disse Hellizabeth na maior empolgação, pulando sozinha em seu quarto. Nem deu chance para seu namorado e melhor amigo, J.R., responder – Nós vamos a um show sábado. Porque meu irmão é o melhor irmão do mundo e conseguiu ingressos vips com direito a ir a uma festa que vai rolar depois do show. Ele não vai mais porque a nojenta da namorada dele não pode ir. Não é incrível? – falou Hellizabeth com os ingressos na mão e se empolgava mais a cada palavra.

J.R. demorou um pouco para responder. Mas depois disse:

– Seria realmente muito mais incrível se eu pudesse ir. – disse parecendo chateado do outro lado da linha.

– Como assim você não pode ir, Júnior? – perguntou Hellizabeth mudando rapidamente de uma garota de dezesseis anos empolgada para uma garota de dezesseis anos irritada – Vai ser o melhor show nacional do ano! Quer dizer, os Stupids Death Boys, são os mais amados do estado da California! – acrescentou.

– Eu sei, gatinha, mas você se lembra da ultima que a gente fez? – perguntou J.R. – Quer dizer, que você fez? – acrescentou J.R. com uma calma vissível na voz.

– Quer dizer, ontem? – perguntou confusa, pois aprontava tanta coisa que não sabia do que ele estava falando – Quando a gente desconfigurou o carro daquele desgraçado do Sr. Wilton? – disse Helly mais calma e com dúvida se era isso.

– Você tem noção de quanto tempo já se passou depois disso? Sabe, isso não aconteceu ontem, isso aconteceu há uma semana atrás. Nos rendeu apenas três dias de suspensão. Aquilo não foi nada. – disse J.R., com uma voz que mostrava bem a insignificância que aquilo tinha. – Então falando de ontem mesmo. Lembra daquele nerd que falou que você era muito ficava muito sexy com esses cabelos negros e mechas roxas? – perguntou J.R., que ficou com raiva só de lembrar daquele desgraçado que ousou olhar para a sua namorada.

– Ah, lembro! Aquele abusado, você bateu nele, apesar de eu dizer que podia resolver isso por mim mesma, já falei que consigo me cuidar sozinha, e tinha minha própria vingança em mente, contando os freios do carro do infeliz. – Helly disse meigamente a parte em que ela disse que ele bateu no outro garoto, ficava feliz ao saber que ele se importava com ela tanto assim – Mais o que isso tem haver com o show? – perguntou Hellizabeth não entendendo.

– Ele era filho de uma amiga da minha mãe. E adivinha!? Ele deu com as línguas nos dentes e disse pra mãe dele que uma eu bati nele e que a minha namorada, ou seja você cortou os freios do carro e ele quase sofre um grave acidente, aí minha mãe veio com um papo e me colocou de castigo sem sair de casa, a não ser para ir para a escola e também… – parou de falar como se estivesse arrumando coragem para falar o resto. Fez-se um minuto de silencio. Hellizabeth já estava ficando impaciente.
– E também o que, Júnior? – perguntou ficando preocupada.

– Ela me proibiu de sair, tigresa, principalmente com você. – disse com uma tristeza em sua voz.

– O que!? – perguntou Helly e começou a andar de um lado para o outro do quarto.

– Ela não me deixa, Hellizabeth, não quer me deixar nem falar com você! Você sabe que eu te amo, meu amor, mas ela está furiosa. – Hellizabeth parou de andar, entendia exatamente o que ele queria dizer, queria terminar, o que Hellizabeth ia fazer sem ele? Não tinha outros amigos, na verdade Júnior sempre foi seu único amigo, se conheciam há muito tempo e… e não podia ficar sem ele. Sentiu seus olhos lacrimejarem e continuou ouvindo – Minha tigresa, acho que… – parou de falar por um momento era como se ele quisesse falar de uma vez para acabar logo com isso, mas não saia som nenhum. Tentou de novo – acho que é melhor a gente não se ver por enquanto. – nessas palavras uma lagrima de Hellizabeth caiu, seguida por outra e mais outra.
Ela não podia mais suportar ficar no telefone com ele mais desligou e jogou o aparelho no chão. Hellizabeth se dirigiu ao seu som, colocou um CD, deu play e deitou na cama ouvindo Simple Plan, que era uma banda que Helly adorava, e que às vezes em que estava triste a animava. Percebeu que ainda estava com ingressos em sua mão e guardou-os numa gaveta em sua cômoda. Chorou um pouco mais e foi decidindo o que fazer com os ingressos, queria tanto ir ao show, seria “O Show”, então decidiu que iria mesmo que não fosse com a pessoa que mais amava. Se levantou ela enxugou a lágrimas pegou os ingressos para sábado, que seria daqui a dois dias. E foi ao quarto de seu irmão, Matthew, abriu a porta e foi entrando e dizendo:

– A gente vai junto para esse show, ok? – perguntou ela, mas sem esperar resposta, era mais um aviso do que uma pergunta. – Toma o seu ingresso e sábado as oito horas a gente se encontra na sala – e foi se virando para sair do seu quarto, até que se lembrou de uma coisa e virou para ele de novo – ah… e vamos no seu carro. Tchauzinho, maninho.

Saiu e fechou a porta. Entrou no seu quarto, pegou o celular que jogara no chão viu que tinha duas ligações não atendidas, mas não se importou de ligar, sabia que era o J.R. tentando explicar porque aceitou com tanta facilidade a tirania da mãe, mas no momento Helly queria ir as compras, comprar a roupa perfeita para ir ao show, então Pegou seu dinheiro que ela guardava embaixo de sua cômoda, e saiu.

E como sua casa ficava perto de seu shopping favorito (ta bom, na verdade, esse shopping só era o seu favorito porque ficava perto de sua casa e enquanto não tinha carro teria que andar a pé até ali mesmo) Helly só precisou andar duas quadras e lá estava Helly, no shopping e foi para a sua loja preferida, “The H”, onde compraria roupas e acessórios para a noite perfeita, que não seria tão perfeita porque o amor de sua vida, J.R., não iria estar lá, mas não queria pensar nisso, queria se arrumar e ficar bem legal para “O Show”.

Na loja “The H” tinha munhequeiras, calças jeans, blusas, camisetas, entre outras coisas, como maquiagens, cintos de tachinhas, pulseiras.

Helly comprou tudo que tinha direito, sabe, como qualquer garota normal, ela ia às compras quando estava triste. Apesar de não gostar ou ligar muito para coisas fúteis.

Voltou para casa dez horas, subiu para seu quarto e se trancou lá, por um tempo, guardando e apreciando suas compras. Quando ouviu o telefone tocar, viu que era o J.R. e como já estava se sentindo melhor e sabia que não ia chorar então tomou coragem e apertou no botão verde, para atender.

– Fala! – disse Hellizabeth sem querer parecer grossa, mas acabou que foi assim que sua voz saiu.

– Helly, gatinha – ele parecia aliviado dela ter atendido, suspirou – que bom que você resolveu atender, Helly, fiquei preocupado… – continuou.

– Está tudo bem, o que você quer, Júnior? – perguntou também com um ar grosseiro.

– Eu só queria que você entendesse, eu te amo, Hellizabeth, mesmo, não quero que nosso amor acabe assim, por isso, a gente só vai ficar sem se ver… mas, ‘pera ai eu não vou sair da escola e também existe celular, te amo muito para parar de falar com você, Helly. – disse J.R. como se fosse chorar.

– Ah, é mesmo J.R., que fofo, claro vamos parar de nos beijar, e se o fizermos tem que ser escondido, é isso que você está dizendo não é, J.R.? – perguntou ficando com raiva – Por que você não diz logo, que não pretende lutar por mim e que vai deixar sua mãe se meter entre nós? Por que você não diz logo, que não me ama suficiente para enfrentá-la? Em vez disso você diz que vai namorar escondido comigo!? E se eu não quiser namorar escondido? Como se estivesse fazendo algo errado.

– Não é isso, amor, Hellizabeth eu te amo, mas agora não é o momento de enfrentá-la… – disse J.R. ficando nervoso.

– E quando é esse momento? Quando você vai enfrentá-la? Ah, já sei, quem sabe quando você estiver velho suficiente para não precisar fazê-lo? – perguntou Helly ficando cada vez mais irritada e decepcionada com o namorado.

– Helly, por favor, não faz isso! Eu te amo! Enfrentaria ela agora se ela não estivesse doente. Você sabe, uma emoção muito forte e ela morre. – falou J.R. parecendo que ia chorar.

– Eu pareço amar você mais do que você me ama, e assim não vai funcionar, o sentimento tem que ser mutuo… – falou Hellizabeth agora com menos raiva e mais tristeza. – E a sua mãe nem é tão velha assim!

– Eu te amo muito, tenho certeza do quanto… – mas Hellizabeth não o deixou terminar, desligou o telefone celular, trancou a porta de seu quarto e colocou outro CD, Evanescence, que parecia arrancar a dor dela no momento em que ouvia a primeira nota do CD.

Estava ouvindo quando bateram na porta. Ouvia a voz de J.R. do outro lado dela, mas não ouviu ignorou completamente se concentrando totalmente na musica que ouvia. Até que ele parou de bater e Hellizabeth ficou mais triste e mais certa do que estava fazendo, “Ele desistiu de ficar batendo na porta, só que ele não mataria ninguém com isso!” pensava Hellizabeth ficando mais triste, só não chorava de novo, porque Evanescence não deixava. Não conseguia chorar ouvindo música daquele tipo.

Até que de repente viu uma mão em sua janela, se assustou até ver os cabelos castanhos escuros de J.R., ele estava entrando em seu quarto pela janela, como ela fez inúmeras vezes em que chegava tarde de um show ou algo assim. O J.R. deixava-a em casa e esperava ela subir até sua janela, quando ela chegava lá em cima mandava um Tchauzinho e ele ia embora. Parecia que ele ficava ali, olhando para ver se ela não caía, observando cada movimento como se pudesse ser o ultimo pela a altura daquilo. Seu quarto ficava no segundo andar, mas apesar de ter uma altura considerável, não era tanta para que alguém morresse.

Quando ele terminou de subir, encontrou ela de braços cruzados, a essa altura ela já havia desligado o som. Estava só olhando para ele. Até ela perguntar:

– O que você tá fazendo aqui? – perguntou com raiva e surpresa por ele não ter caído. Como ele não tinha experiência naquilo.
– Eu vim pedir desculpa, pela idiotice que eu falei, eu realmente te amo. – ele disse se aproximando dela e segurando a cabeça dela com a mão. Ele ia beijá-la mas ela virou a cabeça. – Não se faça de difícil, – ele lhe disse impaciente – eu poderia ter caído, sabe, subindo isso aí, – falou apontando para a janela – arrisquei minha vida pra vim falar com você e acertar tudo e minha mãe acha que eu to na aula de natação.

Ela olhou para ele como se ele estivesse ficando louco, ninguém havia caído dali, pelo menos até então, e ela sabia que se alguém caísse, não iria morrer, como o desesperado do namorado dela pensava. Mas ela não falou nada só sentou em sua cama. Ele percebeu que ela não ia falar nada. E disse:

– Me desculpa, vai? Eu sinto como se eu estivesse sofrendo sozinho. Eu te amo Hellizabeth, quantas vezes você quer que eu repita isso? Eu repito quantas vezes você quiser! Eu te amo! – começou se aproximando – Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! – em cada “Eu te amo” ele dava um passo até que ele parou na frente de Hellizabeth, ela estava olhando para o chão, então ele se abaixou e disse um último “eu te amo” em seu ouvido e como não tinha para onde avançar, ele se aproximou mais dela, fechou os olhos, ela fez o mesmo, e ele a beijou, ela retribuiu o beijo encoranjando-o a continuar e fazendo o beijo mais demorado.

Depois de um tempo, e não foi curto, Hellizabeth se viu jogada em sua cama e sentindo a mão de J.R. em seu sutiã, cortou o beijo, e disse:

– É melhor você sair daqui, não podem te ver aqui, as pessoas têm que achar que eu terminei com você! – falou sofrendo por dentro, mas sentia que não poderia viver sem seus beijos. – saía pela janela, meu irmão deve ter visto você saindo.

– Eu sabia que você ia entender, tigresa. – após falar isso deu-lhe outro beijo menos demorado e foi embora.

Quando ele estava longe o suficiente para não ouvir nada ela sussurrou para sí mesma.

– Você vai sofre muito com isso, Hellizabeth. Você sabe disso.

E ela sabia, Hellizabeth era uma garota emotiva, achava de deveria mostrar a todo mundo os seus sentimentos e o que pensava. Para ela, não demonstrar sentimentos era como não ter sentimentos. Ela precisava que todos soubessem o quanto era amada e o quanto amava também. Adormeceu pensando em tudo isso, era muito para um dia, teria que procurar amigos novos, fingiria não conhecer o J.R., apesar de toda a escola saber que um dia antes eram namorados.

Fim do Capítulo Um.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s