Capítulo 1: Promessas;

CAPÍTULO UM: PROMESSAS;

Silêncio, era tudo o que se ouvia naquela fria e mórbida manhã. Na manhã de aniversário de Edward. Seu aniversário de 107 anos, estive esperando por esse dia, ele era quase um consolo para mim, quase porque apesar de Edward não poder envelhecer um dia sequer, por causa de sua atual condição como vampiro, eu queria lembrar que ele era mais velho do que eu. Muito mais velho.

Não que isso importasse. Não importava mesmo. A única coisa que importava era que eu estava ficando velha e não havia nada que eu pudesse fazer a respeito, quer dizer, não sozinha. Mas Edward se recusava a fazer o que era preciso.

Acordei naquela manhã sentindo seus braços frios ao redor de minha cintura, suspirei. Ele era perfeito, sabia disso. Mas amava me lembrar deste fato.

Ele sentiu que eu estava acordada, se inclinou e me beijou de leve nos lábios.

Senti meu mundo cair, eu realmente nunca iria me acostumar com a sensação de ter seus lábios nos meus. Nunca. Era aquela sensação que me fazia perder o controle e querer mais. Coloquei minhas mãos ao redor de seu pescoço, o puxando mais para mim.

Sua reação demorou um pouco mais do que o normal para acontecer, mas logo estava rígido e se afastando de mim, como se tivesse se afastando de algo maligno.

– Bella… – ele disse, sua voz entrecortada enquanto me observava. Estava de pé ao lado de minha cama.

– Edward – eu lhe disse, com um sorriso estampado em meu rosto. Cheguei mais perto dele que, apesar do modo com que se afastou, não o fez de novo. – Feliz aniversário – sussurrei de forma doce em seu ouvido, como se nada tivesse acontecido.

Bom, não aconteceu, nada fora do esperado, pelo menos.

Ele estava controlado como sempre quando sussurou em meu ouvido, no mesmo tom, um obrigado. Bom, eu não sou controlada. Uma prova disso foi a forma com que meu coração, simplesmente, começou a bater desesperado em meu peito ao ouvir sua voz calma e empolgante em meu ouvido.

Ele sorriu com minha reação e me deu um abraço.

– Se acalme, meu anjo – disse, senti-o acariciar levemente meus cabelos com a ponta de seus dedos. – Não quero que você morra hoje.

Estava divertido, sentia isso. E por que não era de estar? Eu queria ter causado essa sensação de que seu coração iria sair pela boca nele, mas, é claro, essas coisas nunca funcionam comigo.

– Também não quero morrer hoje – lhe respondi. – Não seria legal morrer no dia em que você nasceu.

– É, seria realmente perturbador – me disse. Tentei me afastar de seus braços que ainda estavam ao redor de meu corpo, porém me prendi mais a eles. – Me promete uma coisa hoje?

– Qualquer coisa que você quiser, Edward – disse, totalmente perdida e dominada pela excência que emanava de seu corpo.

– Fique comigo – ele disse, quase suplicadamente.

– Vou ficar – sussurrei contra seu peito. – Hoje e sempre.

Ele sorriu brilhantemente e beijou o topo de minha cabeça.

– Agora, vá, minha Bella, se arrume. Alice está te esperando para ajudá-la – ele disse de mal gosto pude perceber.

Eu havia me esquecido desse detalhe, Alice me esperava para ajudá-la a preparar a festa ex-surpresa de Edward. Por mais que tentasse, Alice não conseguiu suprimir a felicidade de dar uma festa de aniversário para ele.

– Bella, Edward não tem uma festa de aniversário há séculos! – Me disse uma tarde em que nos reunimos enquanto ele estava caçando. E sei que quando ela falava séculos, era verdade e não apenas uma figura de linguagem. – Mas agora com você aqui, sei que ele iria querer uma.

Sorri abertamente, os parentes de Edward não cansavam de me dizer o bem que fazia a ele, o quanto ele tinha mudado, o quando ele estava mais feliz ao ter-me ao seu lado. E era ouvir essas coisas que fazia meu dia parecer mais claro e com vida. Se sua própria família que o conhecia há tão mais tempo do que eu diziam isso, o que eu podia fazer se não acreditar?

– E como, exatamente, você pretende escondê-la de Edward? – perguntei. – Ele é bom em tudo, sabe.

Alice soltou uma risadinha com meu comentário.

– Ele não é tão esperto assim, Bella – me respondeu.

É claro que ela o subestimou. Ele era sim, muito esperto, inteligente e sagaz. E, bem, habilidoso. Sua habilidade em ler mentes o ajudou a descobrir nossa surpresa.

Alice sempre foi muito emotiva e estava anormalmente animada com essa festa para Edward, bem como o resto da sua família. Logo, todos eles já sabiam do que tramávamos e com tantas pessoas é difícil se manter um segredo.

Rosalie nos entregou. Segundo ela, foi um completo incidente. Edward estava entrando na sala enquanto ela pensava na roupa em que usaria.

No começo ele pensou em não dizer que havia descoberto, mas, então, me confessou que já sabia dela.

Fiquei chateada, seria ótimo vê-lo surpreso com alguma coisa. Com sua própria festa, então. Ele iria amá-la, tinha certeza. Teriam cartazes de “Feliz aniversário surpresa, Edward!”, e balões coloridos (idéia de Alice, claro) espalhados por todos os lugares com a palavra “surpresa!” escrita neles até em seu bolo estava estampada a palavra “surpresa”, apesar de eu não entender a necessidade de Alice mandar fazer um bolo, já que nenhum deles o comeria.

Estava tudo quase pronto para um aniversário surpresa de Edward, mas como ele já havia descoberto não havia mais graça em balões coloridos escrito “surpresa!”.

Tínhamos então menos de uma semana para mudar os surpresas para apenas “Feliz aniversário, Edward!”.

E inesperadamente até o dia, já não faltava nada. Mesmo tendo que comprar outros balões, outros tudo. Alice conseguira. Ela apenas precisava de minha ajuda para a decoração, ela pretendia colocar uma toalha nova na sala de estar e queria minha opinião para tudo, mesmo sabendo que eu não entendia nada disso. Ela queria saber se eu achava que combinava cada coisa com a cor da parede ou se ela deveria pintá-la. Isso me parecia estranho, afinal, quem pintaria uma sala inteira novamente apenas para combinar com a nova toalha de mesa especial para aniversários? Relevei, afinal, era Alice.

– Okay – disse para Edward. Me afastei lhe dando apenas um curto beijo na boca.

Peguei minha nécessaire e uma roupa para vestir.

– Vou pegar o carro e volto logo – disse, piscando para mim.

Eu acenti sorrindo. E segui para o banheiro.

Tomei uma ducha, não tão demorada, mas eu não estava com pressa, apesar de saber que como Edward dirigia rápido e andava mais rápido ainda.

Me vesti com uma blusa de manga azul e uma calça jeans. E após passar um tempinho tentando secar meu cabelo, desci.

Ele já estava me esperando no andar de baixo, conversando com Charlie.

– Edward! – eu disse, soando surpresa ao lhe ver. – Eu nem o escutei bater.

– Bom, você estava no banho, Bella – disse Charlie, como se fosse óbvio.

– Então, vamos? – chamei-o, ignorando o comentário de Charlie.

– Claro – ele disse, prontamente. – Até mais, Charlie.

– Até mais e feliz aniversário, Edward – disse-lhe, apertando sua mão.

– Tchau, pai – me despedi, já saindo pela porta.

Assim que saí, meu olhar caiu sobre o lindo Volvo prateado. Estava como todas as outras vezes que o tinha visto, mas ele parecia mais reluzente, me perguntei se Edward o havia limpado, mas eu nem o havia percebido sujo na última vez que o tinha visto, ou seja, no dia anterior, quando voltávamos para casa depois da escola.
Edward logo estava ao meu lado. Senti-o entrelaçar nossas mãos e sorri.

– Você deveria comer alguma coisa, Bella – disse, preocupado.

– Eu não estou com fome agora – respondi.

Ele me olhou enquanto abria a porta do carro para mim entrar. Eu entrei e ele se apressou para a porta do motorista, em menos tempo que demorei para entrar ele já estava dando a partida.

– Nervoso? – perguntei, apesar de saber que, conhecendo-o como conheço, não ficaria nervoso por causa de uma festa em sua homenagem.

– É só uma festa – me respondeu com um sorrisinho.

– Na verdade, é seu primeiro aniversário em que estou, Edward – disse, um pouco chateada, porque, pelo visto, este fato não parecia lhe importar tanto.

– Bom, acho que é mais por isso que vão dar essa festa do que pelo fato de ser meu aniversário – ele observou. – Se você parar para pensar, é tudo sobre você, Bella. Se você não estivesse aqui, eu preferiria não ter uma festa e todos ouviriam minhas vontades, até mesmo Alice.

Refleti sobre isso, não achava justo então… Era seu aniversário, deveria ser tudo sobre ele.

– Veja, Edward, se você não quer essa festa, fale logo, tudo bem? – eu disse, incomodada. – Hoje, tudo tem que ser sobre você. Eu não me incomodaria em passar o seu aniversário com você apenas assistindo um filme ou algo assim.

– Não foi isso que eu quis dizer, Bella – disse, suavemente. – Quis dizer que minha vida é sobre você agora. E eu gosto do jeito como ela está.

Eu olhei para ele, ele estava muito sereno, calmo e… feliz. Sabia disso, apenas olhando em seus olhos que me encaravam esperando uma reação.

Lhe respondi com a única reação que eu sabia. Uma reação bastante humana.

Me inclinei em sua direção, coloquei minha mão em sua nuca e iniciei um beijo. Eu amava o beijar. Tudo era motivo para o beijar, eu o beijaria apenas por me lembrar que ele existia. Edward não gostava tanto disso quando eu. Não que ele não gostasse dos meus beijos, não me entenda mal, ele apenas não se sentia tão seguro me beijando a toda hora, ele ainda queria manter certos limites. Limites estes que eu não respeitava regularmente.

– Tudo bem, Bella – ele disse, rapidamente me separando de seus lábios. – Já entendi que você se sentiu lisonjeada por minhas palavras.

Estávamos sofrendo falta de ar, devido ao beijo.

Edward dirigiu sem olhar para mim neste momento, eu sabia que o tinha atrapalhado na direção ao lhe dar um beijo, mas não consegui me controlar e, além do mais, tinha plena confiança de que ele não iria bater o carro ou algo assim.

– E você está com raiva de mim por ter lhe beijado? – perguntei, olhando para ele enquanto ele ainda olhava para a estrada.

– Não – ele disse, mas não sorriu.

– Então, por que não olha para mim? – indaguei, confusa.

Ele se virou para mim e disse:
– Porque eu tenho medo de continuar o beijo e fazer algo do qual me arrependa depois – ele respondeu, sério.

Engoli em seco. Respirei fundo o mais silenciosamente que pude, não querendo que ele percebesse. Ele percebeu, suspirou e pegou minha mão.

– Você sabe que eu jamais a machucaria, mas é importante que você entenda os riscos – ele disse, me encarando de forma preocupada e atenciosa, fazendo círculos com os dedos sobre minha mão.

– Eu entendo – sussurrei, minha voz falhou. Me xinguei por não conseguir controlá-la, eu deveria aprender a fazer isso alguma hora.

Chegamos à entrada de sua casa. O senti começar a diminuir a velocidade até estacionar. Se virou para mim, segurou meu queixo, me deu um beijo e o mundo parou, pelo menos foi o que pareceu para mim. Era um momento nosso, apenas. Durou pouco, pois ele percebeu que ia começar a me empolgar e não queria mais problemas, nos separou. E sorriu.

– Eu te amo, Bella – disse, acariciando meu rosto. – Não se esqueça disso.

– Também amo você – respondi.

Passamos um minutos admirando o rosto um do outro, sentia que podia passar o resto da vida o encarando.

– Vamos – ele disse, finalmente, saindo do carro e abrindo minha porta.

Saí do carro, e me pegou pela mão. Caminhamos em silêncio até a grande porta da casa, logo que coloquei os pés dentro, Alice veio saltitante ao meu encontro.

– Bella! – ela disse. – Bem na hora, eu preciso de você.

– Uhm, como posso ajudar, Alice? – perguntei, disposta.

– Preciso que você… – olhou para Edward, depois para mim e hesitou. Pareceu refletir um pouco e suspirou. – Entretenha Edward até a hora da festa, tudo bem? Queremos que, pelo menos a decoração, seja surpresa.

Ele sorriu e me puxou antes que eu pudesse responder.

FIM DO CAPÍTULO UM.

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