Capítulo 2: “a maior…”;

CAPÍTULO DOIS: “A MAIOR EXPERIÊNCIA DE VIDA QUE PODERIA TER É A SEMI-MORTE”;

Ao alcançarmos as escadas, Alice já não estava mais perto da porta, onde tinha nos recebido, devia ter ido fazer suas outras coisas para a festa de Edward.

– O que houve com Alice? – perguntei. – Pensei que fosse ajudá-la com os preparativos para a sua festa.

– Bom, posso dizer que me livrei disso para você – disse com um sorriso travesso. Não pude evitar em sorrir também, ele estava tão radiantemente feliz.

– Então, o que vamos fazer? – quis saber.

– Vamos passar a manhã de meu aniversário assistindo filme no meu quarto – respondeu. – Depois vamos ver o pôr-do-sol e ser felizes para sempre – acrescentou vendo minha expressão entediada.

– Gostei do “felizes para sempre” – disse o seguindo por um corredor que iria dar em seu quarto. – Mas só poderá haver feliz para sempre se eu for uma de vocês Edward, se não, não será para sempre.

– Hoje não, Bella – ele falou, entredentes. – Estou muito feliz por passar esse primeiro aniversário com você para discutirmos isso agora.

– Tudo bem, foi só um comentário – disse, levantando as mãos, como se estivesse me rendendo.

Chegamos em seu quarto e ele abriu a porta, me puxando para dentro.

O quarto estava como o tinha visto anteriormente, poucas mudanças haviam sido atribuídas ao local, como uma TV de plasma, coisas assim.

Sentamos no sofá e imediatamente me acomodei em seu peito. Ele acariciava meu cabelo quando perguntei:

– Que filmes vamos assistir, aniversariante?

– Uhm, não sei, só quero ficar perto de você – disse e senti-o expirar em meu cabelo, me arrepiei.

– Sendo assim, vamos ver “Um amor para recordar” – eu disse, pronta para me levantar e colocar o filme no aparelho de DVD. Edward segurou minha mão e se levantou.

– Vamos colocar o filme juntos – disse.

– Como? – perguntei, desentendida.

– Eu quero fazer tudo com você hoje – ele disse, me puxando para me levantar do sofá. – Vamos colocar o filme juntos no DVD então.

– Que história é essa, Edward? – perguntei, rindo. Ele não podia estar falando exatamente isso, fazer tudo juntos mesmo.

– Eu não quero perder contato com você – ele respondeu, simplesmente. – Quero sentir que você está aqui o dia todo.

– Mas eu vou ficar aqui o dia todo – eu falei.

– Apenas vamos fazer isso, okay? – disse, me levando para perto da estante onde se encontrava a TV e o DVD.

– Tudo bem – acenti, apesar de ainda estar confusa.

Pegamos o DVD, juntos. Tiramos o CD da caixa, e colocamos no DVD player, juntos. Edward pegou o controle remoto com a outra mão que não estava segurando a minha e nos guiou de volta ao sofá.

Nos acomodamos nele de novo. Edward colocou o braço sob meus ombros e apoiei minha cabeça em seu corpo. Deu o “play” no CD.

O filme começava a rodar na tela. Eu já o tinha visto, era aquela história da garota inteligente que tinha alguma doença terminal e o garota que precisava fazer trabalhos voluntários por andar aprontando pela cidade com os amigos, apesar de ter sido o único que levou a culpa.

Edward parecia interessado no filme, arrisco dizer que, apesar de ter o DVD, nunca o tinha visto.

Chegamos à uma cena em que estão os dois no carro dele, ele já tinha descoberto que ela tinha câncer e estava realizando todos os seus desejos. Pois então, tem essa cena em que ela está fazendo uma tatuagem de borboleta com uma música de fundo cantada pela atriz principal do filme, Mandy Moore. Assim que ele viu essa cena perguntou:

– Vamos fazer tatuagem?

– Tatuagem, Edward? – perguntei, me virando um pouco para olhá-lo.

– Sim – ele estava animado, parecia mesmo disposto a fazer uma. – Não seria legal? Eu podia tatuar o seu nome, Bella.

– E por que você faria isso? – indaguei. – É completamente sem finalidade.

– Não, não é – ele disse, defensivo. – As pessoas tatuam em sua pele para lembrar de algo ou alguma época de sua vida.

– Ah, então, você precisa de uma tatuagem para lembrar de mim, Edward? – perguntei, me fingindo ofendida.

– Não, meu amor – ele disse, me dando um selinho. – Você é inesquecível. Eu só preciso de uma tatuagem sua para guardá-la em mim para sempre.

– Você sabe que tem outro jeito menos doloroso para você me manter com você para sempre – eu resmunguei, esperando que ele não ouvisse. Mas seus sentidos são aguçados, afinal, é um vampiro. Ele obviamente ouviu e bufou.

– Bella… – ele começou.

– Okay, okay – eu disse, sabendo o que viria. Ele iria fazer um discurso que poderia ser doloroso para mim e tudo o mais, porém ele sabe que nada mudaria minha idéia de me tornar uma vampira e passar a eternidade com ele. Ficamos um tempo calados vendo o filme, depois perguntei de novo: – Qual o real motivo de você querer fazer tatuagem, Edward?

Ele ficou um momento pensando na resposta, percebi.

– Tenho 107 anos, Bella – começou e deu uma pausa para re-pensar.

– 107. Tenho muita experiência de vida como pode perceber, mesmo assim, sinto que não aproveitei nada. Sinto que há tanta coisa para fazer e sentir que podemos fazer tudo isso juntos… É simplesmente ótimo.

– Então, você quer fazer uma tatuagem porque… quer saber como é? – perguntei para ver se tinha entendido direito.

– Sim e… Não – respondeu, incerto. – Quero fazer uma tatuagem porque você não fez uma tatuagem, e você está viva e quer acabar com sua vida para se tornar algo sem batimento cardíaco como eu sou. Eu quero fazer uma tatuagem porque acho que você deveria fazer uma, simplesmente, pela experiência que isso poderia te proporcionar.

– Edward… – tentava pensar em como explicar que eu não queria saber como era fazer uma tatuagem e sim como era ser uma vampira. – Escute, a maior experiência de vida que poderia ter é a semi-morte.

Ele me encarou e me apressei a acrescentar: – Já sei como é ser viva, como é sentir, tocar e ver as coisas como uma humana, mas não sei como é ser uma de vocês, não sei como é nada disso.

Neste momento, soube que venci. Via em seus olhos que ele sabia que eu estava com um bom argumento. Mesmo assim, não cedeu:

– Não vou fazer isso, Bella – disse sério, olhando para baixo. – Não vou me perdoar se depois você acabar se arrependendo, é uma coisa tão fácil de se fazer, mas é irreversível…

– Eu entendo tudo isso, Edward – eu disse, revirando os olhos.

– Não, Bella, você não entende… – ele ia dizendo.

– Ah, olha, Edward, essa é a cena! É a melhor! – gritei, apontando para a TV, mudando de assunto. – Ele está levando-a para se casarem na igreja em que a mãe e o pai dela.

Ele levantou os olhos e assistia à cena.

– É realmente incrível, mas… – eu o interrompi com um beijo. Um beijo calmo que ia evoluindo e se aprofundando, era cuidadoso como de costume e eu sabia que não podia demorar um pouco mais do que dez segundos. Oito… Nove… Dez.

Edward se obrigou a nos separar, percebi.

– Você tem que parar com isso – ele disse, com um meio-sorriso.

– É, talvez eu tenha – disse lhe dando mais um beijinho rápido, antes de me voltar para o filme.

FIM DO CAPÍTULO DOIS

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